Cuida do.

Cuida do. Teu sorriso. Teu descanso. Tua fé. T’eu. Amor. Cuidado teu, contigo mesmo. Cuida dos. Teus passos. Tuas palavras. Teus desejos. Teus amores. Cuidado teu, com t’eus outros eus. Cuida dos. Teus sonhos. Tuas plantas. Teus irmãos. Teus medos. Cuidado teu, com o mundo t’eu.
Cuida do. Teu Deus. Que cria e recria todas as coisas que precisam de cuidado, para que cuide de todas elas, enquanto elas forem tuas, nossas.
E o que não é teu, o que não é eu, descuida. Esquece por um tempo, e se não lembrar mais é porque não precisa mais de cuidado.
Então seja descuidado com o que achas que não é t’eu. E as vezes com o que achas que é t’eu também, só pra ter certeza. Nem sempre o que é teu é t’eu.
Permita renovar-se, de posses, de crenças, de eus.
Mas não esqueça do cuidado, principalmente com o que se vê frágil, sensível, com o que é novo, broto, filhote. Pois para que cresça forte, capaz de cuidar de si mesmo, precisa de cuidado, e de descuido, alheio.
Então se cuide, se descuide. Tenha cuidado, e descuido. Pois só conhece a si mesmo aquele que se experimenta.
Mas não busque resultados, busque a prática. De se experimentar e se conhecer. De cuidar e ser cuidado. De descuidar e ser descuidado. De ser e deixar de ser.

CⒶOS

Super-Humanos

O maior super poder que se pode adquirir é o da aceitação. Pois não há vilão que resista a um não-combate. Não há tragédia que ocorra quando se aceita que toda a mudança, por mais drástica que seja, é necessária.
Quando se encontra harmonia entre o que deseja e o que o Universo tem a oferecer se descobre que o Universo pode te oferecer tudo aquilo que deseja, se for capaz de aceitá-lo.
Por mais que tudo pareça perdido e que a solução não esteja a vista, jamais aceite o impossível, pois só assim ele pode se tornar real. Aceite que tudo é real, e crie sua realidade de aceitação.
Mas cuidado com a rejeição, pois ela é ta o forte quanto a aceitação. No entanto, só rejeitamos aquilo que acreditamos ser ruim, e rejeitar é muito mais fácil, mas totalmente fora de controle.
Então aceite, até o que aparenta ser ruim, e use esse poder para transformar, as coisas, a si mesmo, a realidade ao seu redor.
Aceitar não é permanecer parade, é permanecer em movimento, é permanecer em criação, é caminhar ao lado do novo.
É perceber que o caminho se transforma conforme o percorremos e aceitar os desafios a frente, pois somos capazes, somos super-humanos, feitos de poeira estelar e fagulha divina.

CⒶOS

Paisagens

O que é imagem? O que uma imagem representa? Mais do que mil palavras?
Quais imagens tentamos representar? Quais energias você cultiva através da sua imagem?
Ela te representa? Em qual aspecto? Ela te é sincera ou construída?
Imagens são sedutoras, mais do que as palavras, pois elas falam mais rápido em menos tempo. As palavras levam tempo, precisam ser compreendidas e colocadas em contexto.
Mas palavras também são imagens, são cores e formas que se juntam em busca de uma representação.
Suas palavras representam sua imagem? Sua imagem representa as suas palavras? Suas representações, representam a quem? Uma ideia? Um grupo? A você mesmo?
Sua imagem é poderosa, assim como suas palavras, mas diferente das suas palavras, que são marcas de permanência, ou de mudança, a sua imagem é a sua marca de chegada.
Carregue-a com orgulho, construa-a com amor, mas não se apegue de mais.
Se permita ser diferente, dos outros, dos muitos, dos poucos, de si mesmo.
Pois assim como as imagens são passageiras, nós somos paisagens.

Para onde vamos?

Pare de olhar pra trás, mas não esqueça o caminho de volta.
Ficar se lamentando, se questionando, e/ou se culpando pelas coisas que você fez no passado é uma atitude que perpetua o passado. E a um tempo atrás eu diria que nosso caminho está a frente, mas na verdade ele está aqui.
Interaja com seus feitos de outrora como história do personagem que já foi, construa-se em alguém melhor. Não melhor do que quem o cerca, mas melhor do que quem o torna, você mesmo.
Erros, dores e traumas são caminhos de luz para onde nos existem sombras, mas não fuja, ou finja que elas não existem, pois elas fazem parte de quem somos, e de quem podemos ser, não no futuro, mas agora.
Caminhe pelos túneis escuros do seu ser em direção à luz, mas não se esqueça de observar as paredes, os rabiscos: “Quantas vezes eu estive aqui e não me recordo? Quantas vezes eu andei cego sem saber que existia luz? Quantas vezes me joguei ao chão e chorei, rezei sozinho, esperando que me ouvissem, mas a única resposta eram os ecos de minhas próprias preces?”
Estamos repletos de caminhos escuros dentro de nós, caminhos que evitamos, pois temos medo. Medo de ver, medo de sentir, medo de ser.
Temos medo de nós mesmos, pois acreditamos que somos esses caminhos. Acreditamos que somos sombrios e impuros, indignos, de amor, de compreensão, de respeito, de perdão.
Não se culpa um adulto quando se encontram seus desenhos escondidos no fundo do armário que ele fazia enquanto se escondia dos pais quando era uma criança. Estamos constantemente vivendo processos de transformação e aprendizado, se não tivermos medo.
Mas o que já vivemos é um caminho de memórias, o que estamos vivendo é um caminho de escolhas.
Seguir, àqueles que conseguem se livrar do medo.
Permanecer, àqueles que precisam de descanso.
Voltar, àqueles que encontraram mentiras em suas certezas.
Independente da sua escolha, escolha, e se se arrepender, re escolha, até que possa colher os resultados que deseja, ou que desejam você.
Mas mantenha sempre em mente, que embora passemos por lugares escuros, viemos da luz, e estamos voltando para a luz. Então não se esqueça o caminho de volta.

Com(v)ida

Nessa vida aprendi a me alimentar com vida nos alimentos que eu consumo, buscando estar sempre cada vez mais próximo da terra, da origem e do destino de todas as coisas.

Meu alimento não trás consigo medo, sofrimento ou exploração. Infelizmente nem os vegetais hoje estão totalmente livres de mácula, já que a maioria deles é produzido para alimentar um mercado, e não um ser humano.

Mas busco o maior potencial de vida que posso encontrar. Abasteço o meu veículo que me transporta por essa terra com a energia que a terra produz, para que ele possa me levar o mais longe possível nessa viagem que é a vida.

Mas não me alimento apenas de comida. Tem vida no meu olhar. Tem vida no meu escrever. Tem vida nas minhas relações. Tem vida nas minhas aspirações.

Porque a vida por aqui anda meio esquecida. Não se vive pela vida. Se vive por qualquer outra coisa que talvez dê valor a vida. Quando na verdade a vida é inestimável.

E estar morto não é morrer. É deixar de perceber a vida.

Reseja

Da pra aprender a ressignificar as coisas. Olhar para o que já se viu e ver algo diferente. Estar onde já se esteve e ser alguém diferente. A gente se identifica com situações e ambientes, se acostuma e se repete.

Nos ciclos de nós mesmos as vezes não sobra espaço para ver de um modo não viciado. Quando se vira a rua de casa se espera que o caminho seja sempre o mesmo. E quando não é, se dá meia volta até notarmos que é o mesmo caminho, apenas diferente.

Aonde quer que haja medo, insegurança, traumas, olhe de novo. Volte, assim que estiver pronto, e veja de novo, seja de novo. Reseja. O que em mim rejeita esse lugar, essa pessoa, esse sentimento? Qual espelho eu ainda não estou preparado para encarar?

Olhe novamente, com bondade, com paciencia, pois do outro lado só há você. O mundo inteiro é um espelho que (des)cobrimos aos poucos, conforme vamos aceitando cada vez mais dele, cada vez mais de nós mesmos.

Então quando tiver a oportunidade, e a coragem (do Latim coraticum, derivado de “coração”), volte, reabra os olhos, reabra o coração. E reseja o mundo através da sua própria transformação.

Transforme o mundo através do seu coração.

D. Porquê.

Quando eu te espero é porque eu te amo.

Quando eu te mando uma foto é porque eu te amo.

Quando eu te dou bom dia é porque eu te amo.

Quando eu te faço comida é porque eu te amo.

Quando eu te cutuco quando você ta roncando de noite é porque eu te amo.

Quando eu te mando a minha localização é porque eu te amo.

Quando eu pinto o meu cabelo é porque eu te amo.

Quando eu vou pra São Bernardo é porque eu te amo.

Quando eu me atraso é porque eu te amo.

Quando eu te encontro é porque eu te amo.

Quando eu te escrevo é porque eu te amo.

Quando eu te cubro é porque eu te amo.

Quando eu te cuido é porque eu te amo.

Quando eu te lembro é porque eu te amo.

Quando eu te ofereço água é porque eu te amo.

Quando eu te levo lanche é porque eu tr amo.

Quando eu ando com você no meio da rua é porque eu te amo.

Quando eu te digo pra ficar nua é porque eu te amo.

Quando eu sinto sua falta é porque eu te amo.

Quando eu amo os seus irmaos é porque eu te amo.

Quando eu vejo alienígenas é porque eu te amo.

Quando eu vejo uma velhinha e acho que é você é porque eu te amo.

Quando eu chego é porque eu te amo.

Quando eu melhoro é porque te amo.

Quando eu te escuto é porque te amo.

Quando eu sou mais eu é porque eu te amo.

Quando eu sou mais livre é porque eu te amo.

Quando eu durmo pra sempre do seu lado é porque eu te amo.

Quando eu permaneço em silêncio é porque eu te amo.

Quando eu faço loucuras é porque eu te amo.

Quando eu faço surubas é porque eu te amo.

Quando eu lavo a louça é porque eu te amo.

Quando eu te busco é porque eu te amo.

Quando eu me culpo é porque eu te amo.

Quando eu me encontro é porque eu te amo.

Quando eu te sonho é porque eu te amo.

Quando eu acordo é porque eu te amo.

Quando você me acorda é porque eu te amo.

Quando eu medito com você é porque eu te amo.

Quando eu cocrio com você é porque eu te amo.

Quando eu moro com você é porque eu te amo.

Quando eu vivo com você é porque eu te amo.

Quando eu morro com você é porque eu te amo.

A gente passa pelas pessoas, e não só por elas, e sequer nota a presença do outro, o espaço do outro, o pequeno mundo que passa por nós e que talvez seja a última vez.

Se tem contato de centenas, milhares de contatos, mas com quais você mantém contato? Com quais você tem contato?

As pessoas mais ricas e mais encantadoras que se pode conhecer só se conhece através do contato, da permissão mútua do contato, da vontade espontânea de todas as partes presentes no ato do contato.

A experiência do eu, do ego, pode ser tão imersiva que por vezes nos encontramos pensando que somos o mundo todo, e que não há nada além de nós, e é verdade. Mas esquecemos de todas as outras partes que também compõe esse mundo tudo.

O peso do material é capaz de ficar mais leve quando compartilhamos a experiência terrestre. O mundo está nas suas mais, mas não só nas suas.

Tente passar pelos lugares e entrar em contato com a vida ao seu redor, pois quanto mais se vive a vida, mais vivo se está, e esse momento de vida é que nos permite ver, amar, permitir. Por enquanto.

À Primavera

De ciclos em ciclos a gente vai aprendendo a caminhar na direção desejada, mas antes disso precisamos errar um pouco, e viver ainda mais.

O mundo a nossa volta se encontra em constante mudança, final ou inicial, o sentido de ambas as palavras se torna igual quando se entende o propósito de todas essas mudanças.

Não nascemos pra permanecer, e eu nem estou falando da morte, ainda. Até mesmo antes de nascer estamos mudando, até mesmo depois de morrer estamos mudando. Lutar contra isso é negar uma das forças primordiais do Universo.

Cada mudança é uma morte, e cada morte um renascimento. Quantas vidas você está disposto a viver nesse corpo?

A maior parte de tudo que existe é constituída pelo vazio, a matéria ocupa uma ínfima parte do cosmos, e tende ao vazio, pois não pode se transformar de maneira verdadeira enquanto ainda estiver apegada a forma.

Por isso as grandes mudanças acontecem na sua alma, não no seu corpo. Você pode fazer uma dieta para perder ou ganhar peso, mas só vai manter a forma que deseja se sua alma entender que aquela é a forma que equilibra seu corpo, e então sua dieta vai se tornar sua alimentação.

Transformar é um exercício de desapego e consciência. Você precisa mais do que entender, sentir, e então deixar ir. Tudo que era se transforma em tudo que é, e tudo que é, pode ser qualquer coisa.

Se quer ser algo novo, mude.

Se quer ser algo antigo, mude.

Se quer ser tudo, mude.

Se quer ser nada, continue.

À Beleza

Beleza é um indício, uma pista de que algo ultrapassou o mero material. Ela pode ser aplicada e encontrada em qualquer lugar. O que é belo é o que é puro, que transcende o corpo e transmite essência, presença.

Para perceber a beleza ao seu redor você precisa estar presente. Excluir o tempo da equação da experiência terrestre e conectar seu corpo terreno ao corpo celeste que chamamos de Terra, casa.

A beleza apenas nasce quando a negação se ausenta, quando paramos de reclamar ou desconfiar. Todos os sentimentos que nascem da paz interior são regidos pela aceitação.

Tudo que é belo, antes de ser percebido do lado de fora, é percebido do lado de dentro. Todas as coisas que circundam nosso mundo são as coisas que percebemos. Tanto as belas, quanto as que não encontramos beleza.

Mas quando tudo está tranquilo, quando não existem tormentas, e os olhos não são mais necessários. Quando você acorda dos sonhos com a paz ao seu lado, para onde quer que você olhe, a beleza estará lá, pois ela está em você, e todas as coisas que te distanciam da essência estão em silêncio.

Se você permanecer em silêncio, talvez perceba esses lapsos de beleza. Se você permanecer em paz, talvez você perceba essa continuidade do silêncio, o silêncio que permeia os espaços vazios é a beleza que permeia os espaços de apreciação.

Beleza não tem a ver com cores ou formatos, tem a ver com presença e contato.

Feche os olhos, abra o peito.

Esqueça o mundo.

O que é belo quando nada mais existe?